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From harmony to loneliness

É horrível estarmos perdidos, ter vergonha daquilo que somos, ter medo de encararmos a pessoa que somos todos os dias. Passar de um estado de harmonia connosco próprios para um estado de solidão absoluta não parece tão fácil, mas é. Acontece todos os dias, pelo menos comigo, e pode não parecer mas estamos todos por conta própria, estamos todos sozinhos. E se não for assim, sou apenas eu a tentar convencer-me de que não sou a única que está sozinha. É complicado sermos alguém que não queremos, algo que não nos diz muito e mesmo assim, não podermos fazer nada para o combater. É a partir daqui que começamos a sentir pena de nós próprios, da desilusão que aparentamos ser, e daquela que somos mesmo. Não é fácil pedir ajuda, nem todos o fazemos. É talvez considerada uma ação de fraqueza. Muitos não o fazem porque têm medo de que possam ser vistos de outra maneira. Eu não o faço simplesmente porque não quero. Isso inclui motivos como o orgulho, o facto de eu ser tímida e acho que desperdiç...

Sad enough

Sinto-me vazia, sinto-me fria, não me sinto de todo. É estranho porque antes tudo contava. Agora sou arrogante, desinteressada, desinteressante, sou indiferente. Não conhecia este meu lado, mas parece que todos o temos. Não esperava apegar-me tanto à vida. Tenho pena e nojo de mim própria quando mostro tanto desprezo pelas coisas mais valiosas, por aquilo que me foi tão necessário e determinante para esta jornada. Ás vezes acho que não mereço tudo o que tenho, mas porquê não achar que tudo o que tenho não é suficiente? Faz parte da nossa natureza destacar o mau, o imperfeito, o inacabado, o velho, o triste, o miserável, o rude, o débil, o impróprio, o errado, o teimoso, o inquieto, o incomum e a lista continua. Somos maus de natureza, somos invejosos. Somos nós os insatisfeitos, chatos, lixados e enjoativos. Quando vemos o que podemos realmente fazer com a nossa boa vontade, com tudo o que temos dentro de nós é explosivo, é fascinante. Aprendi que as atitudes são o que mais nos def...

Sometimes

Odeio estar nervosa, sinto que vou explodir. Se calhar já o fiz, se calhar já explodi, muito provavelmente por dentro. Se calhar o que vai explodir agora é só o que resta de mim. Sinto que já não aguento, que não faço parte de mim. Foram poucas as vezes que me apercebi e que vi quem eu era realmente, na verdade foram as únicas alturas em que me senti bem. Feliz não, nós nunca estamos felizes, mas bem. Senti-me completa, era eu. É bom percebermos de vez em quando quem somos, caso contrário perdemos a noção, a noção de quem somos e de quem fomos. Parece que os nervos e o desespero são aliados, ele já tinha vindo atrás de mim, disse-lhe não. Mas os nervos insistem, eles nunca desaparecem, eles estão cá, escondidos, à espera de uma oportunidade. Pensei que iria conseguir fazer isto sozinha, pensei que sabia tomar conta de mim. Se não eu, quem? Quem vai querer tomar conta de algo? Odeio estar nervosa ou ansiosa. Eu sei que não tenho razão para tal mas não consigo evitar. Às vezes exage...

Damaged

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Vais, vais e vens, vais e voltas, andas num constante vai-e-vem. Já te disse que não te quero? Já não te quero. Acho que me perdi um pouco em ti antes de-to dizer. Esperei, tantos dias. Sentada. Eu preciso de ti. O meu corpo precisa de ti. Mas a mente reprime-te, como se tivesses uma doença. E só assim, o corpo que antes precisava de ti, o corpo deteriorado, o corpo que danificaste de dentro para fora, o corpo que arruinaste, o corpo que antes precisava de ti, já não precisa. Senta-te comigo, ouve e eu prometo ouvir. O mundo parece frio sem ti, mas pergunto-me como era antes. Tento-me lembrar porque é que te quis tanto. Tento-me relembrar porque é que sequer te conheci. Porque é que me meti no teu caminho. É tudo tão superficial, como sempre o foi, como sempre o foste. É o ciclo da vida, seduzes e manipulas com esse teu ar inofensivo, esse teu ar fútil que não tem nada de nada, seduzes até obteres aquilo que nunca tencionavas ter, aquilo que para ti, era um simples troféu. Aquilo,...

Despair

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Tenho um pouco de desespero dentro de mim. Sabes quando o coração começa a bater mais rápido do que o normal, quando a tua respiração fica agitada, é ele. Apetece-me guarda-lo numa caixa e enviar-to. O que faço com ele? O que farias com ele? Acho que todos nós temos um pouco de desespero dentro de nós, ele nunca desaparece. Ele esconde-se, mas nunca desaparece. Eu prefiro mantê-lo o mais afastado possível, ele não nós faz bem.  Ele mata-nos aos poucos, ele acaba connosco. Porque é que não podemos fazer o mesmo com ele? Qualquer pessoa vai usa-lo em seu benefício. Vai ser a janela que tu não consegues fechar.  Quando esse desespero quiser tomar conta de ti, avisa-me. Mete-o numa caixa e manda-mo. Se quiseres até o podemos partilhar. Duvido que ele se importe. Ele estará preocupado em achar as minha feridas mais profundas, mas já sararam, ele não vai encontrar nada. Ele não me deixa dormir.  Já pensaste o que o desespero faz connosco ? Ele junta-nos, e ...

Even then

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Eu até compreendo, até compreendo que as pessoas me troquem, que me deixem para trás. Eu até compreendo que as pessoas tenham uma opção bem melhor que eu. Eu até compreendo que não seja tão interessante e divertida com ela, que não tenha a cultura dela, que não seja tão bonita como ela. Eu até compreendo a maneira com que as pessoas vêm o mundo. Eu sei que quanto mais carregada estiver e me quiser agarrar a algo, a alguém, eu sei que vai parecer tão real devido ao desespero, que vou acabar por cair no vazio, mas outra vez, eu compreendo. Eu sei quão difícil é para as pessoas assumirem um compromisso, responsabilizarem por algo. Mas é nesses momentos de desespero, de solidão, após ter experenciado mil e uma coisas que eu me encontro a mim mesma, é aí que eu paro por cinco segundos, e lembro-me quão difícil foi chegar até aqui, e quão difícil será voltar a fazê-lo. Às vezes precisamos só de uma mão para superar isto tudo, mas parece que já ninguém tem tempo para ninguém. Passamos ...

Write

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"Escrever, é pôr tudo num papel e queimá-lo. Imaginar que ninguém o leu e que ninguém o fará. Guardar uma folha no sótão, esquecida. Dá-la a um desconhecido.  Só escreve quem sabe dizer a verdade e quem é capaz de o fazer, é o bem mais importante para se escrever, é aquilo que convence realmente os leitores.  Se não o fizermos, se não dissermos a verdade, será um peso para o resto da nossa escrita, uma responsabilidade que não queremos assumir, irá roubar-nos as palavras que ainda nos restam e perturbar as que já foram escritas e fará com que os nosso sentimentos se desvaneçam aos poucos, que não sintamos mais nada, que tudo o que nos é conhecido se torne estranho, que a nossa dor dure para sempre, que o abismo seja casa para nós, se não o fizermos, é um desperdício de tempo e papel."