Even then
Eu até compreendo, até compreendo que as pessoas me troquem, que me deixem para trás. Eu até compreendo que as pessoas tenham uma opção bem melhor que eu. Eu até compreendo que não seja tão interessante e divertida com ela, que não tenha a cultura dela, que não seja tão bonita como ela.
Eu até compreendo a maneira com que as pessoas vêm o mundo.
Eu sei que quanto mais carregada estiver e me quiser agarrar a algo, a alguém, eu sei que vai parecer tão real devido ao desespero, que vou acabar por cair no vazio, mas outra vez, eu compreendo.
Eu sei quão difícil é para as pessoas assumirem um compromisso, responsabilizarem por algo.
Mas é nesses momentos de desespero, de solidão, após ter experenciado mil e uma coisas que eu me encontro a mim mesma, é aí que eu paro por cinco segundos, e lembro-me quão difícil foi chegar até aqui, e quão difícil será voltar a fazê-lo.
Às vezes precisamos só de uma mão para superar isto tudo, mas parece que já ninguém tem tempo para ninguém.
Passamos por tanto que nos esquecemos de nós próprios, chegamos a um ponto em que o nosso físico é apenas um meio para os nossos fins e afastamos-nos tanto que, com o tempo, o amor próprio se vai perdendo e no fim, quem irá sofrer as consequências seremos nós.
Passamos tanto tempo a tentarmos conhecermos a nós próprios, mas em vão, nunca nos iremos conhecer a cem por cento. Vivemos a tentar sempre perceber os outros, mas esquecemos-nos completamente que a real incógnita aqui, somos nós.
Eu lembro-me das boas pessoas que tenho na minha vida. Eu lembro-me dos bons momentos que passámos juntos.
E paro outra vez, e agradeço por te ter conhecido e por te ter na minha vida.

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