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Sometimes

Odeio estar nervosa, sinto que vou explodir. Se calhar já o fiz, se calhar já explodi, muito provavelmente por dentro. Se calhar o que vai explodir agora é só o que resta de mim. Sinto que já não aguento, que não faço parte de mim. Foram poucas as vezes que me apercebi e que vi quem eu era realmente, na verdade foram as únicas alturas em que me senti bem. Feliz não, nós nunca estamos felizes, mas bem. Senti-me completa, era eu. É bom percebermos de vez em quando quem somos, caso contrário perdemos a noção, a noção de quem somos e de quem fomos. Parece que os nervos e o desespero são aliados, ele já tinha vindo atrás de mim, disse-lhe não. Mas os nervos insistem, eles nunca desaparecem, eles estão cá, escondidos, à espera de uma oportunidade. Pensei que iria conseguir fazer isto sozinha, pensei que sabia tomar conta de mim. Se não eu, quem? Quem vai querer tomar conta de algo? Odeio estar nervosa ou ansiosa. Eu sei que não tenho razão para tal mas não consigo evitar. Às vezes exage...

Damaged

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Vais, vais e vens, vais e voltas, andas num constante vai-e-vem. Já te disse que não te quero? Já não te quero. Acho que me perdi um pouco em ti antes de-to dizer. Esperei, tantos dias. Sentada. Eu preciso de ti. O meu corpo precisa de ti. Mas a mente reprime-te, como se tivesses uma doença. E só assim, o corpo que antes precisava de ti, o corpo deteriorado, o corpo que danificaste de dentro para fora, o corpo que arruinaste, o corpo que antes precisava de ti, já não precisa. Senta-te comigo, ouve e eu prometo ouvir. O mundo parece frio sem ti, mas pergunto-me como era antes. Tento-me lembrar porque é que te quis tanto. Tento-me relembrar porque é que sequer te conheci. Porque é que me meti no teu caminho. É tudo tão superficial, como sempre o foi, como sempre o foste. É o ciclo da vida, seduzes e manipulas com esse teu ar inofensivo, esse teu ar fútil que não tem nada de nada, seduzes até obteres aquilo que nunca tencionavas ter, aquilo que para ti, era um simples troféu. Aquilo,...

Despair

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Tenho um pouco de desespero dentro de mim. Sabes quando o coração começa a bater mais rápido do que o normal, quando a tua respiração fica agitada, é ele. Apetece-me guarda-lo numa caixa e enviar-to. O que faço com ele? O que farias com ele? Acho que todos nós temos um pouco de desespero dentro de nós, ele nunca desaparece. Ele esconde-se, mas nunca desaparece. Eu prefiro mantê-lo o mais afastado possível, ele não nós faz bem.  Ele mata-nos aos poucos, ele acaba connosco. Porque é que não podemos fazer o mesmo com ele? Qualquer pessoa vai usa-lo em seu benefício. Vai ser a janela que tu não consegues fechar.  Quando esse desespero quiser tomar conta de ti, avisa-me. Mete-o numa caixa e manda-mo. Se quiseres até o podemos partilhar. Duvido que ele se importe. Ele estará preocupado em achar as minha feridas mais profundas, mas já sararam, ele não vai encontrar nada. Ele não me deixa dormir.  Já pensaste o que o desespero faz connosco ? Ele junta-nos, e ...

Even then

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Eu até compreendo, até compreendo que as pessoas me troquem, que me deixem para trás. Eu até compreendo que as pessoas tenham uma opção bem melhor que eu. Eu até compreendo que não seja tão interessante e divertida com ela, que não tenha a cultura dela, que não seja tão bonita como ela. Eu até compreendo a maneira com que as pessoas vêm o mundo. Eu sei que quanto mais carregada estiver e me quiser agarrar a algo, a alguém, eu sei que vai parecer tão real devido ao desespero, que vou acabar por cair no vazio, mas outra vez, eu compreendo. Eu sei quão difícil é para as pessoas assumirem um compromisso, responsabilizarem por algo. Mas é nesses momentos de desespero, de solidão, após ter experenciado mil e uma coisas que eu me encontro a mim mesma, é aí que eu paro por cinco segundos, e lembro-me quão difícil foi chegar até aqui, e quão difícil será voltar a fazê-lo. Às vezes precisamos só de uma mão para superar isto tudo, mas parece que já ninguém tem tempo para ninguém. Passamos ...

Write

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"Escrever, é pôr tudo num papel e queimá-lo. Imaginar que ninguém o leu e que ninguém o fará. Guardar uma folha no sótão, esquecida. Dá-la a um desconhecido.  Só escreve quem sabe dizer a verdade e quem é capaz de o fazer, é o bem mais importante para se escrever, é aquilo que convence realmente os leitores.  Se não o fizermos, se não dissermos a verdade, será um peso para o resto da nossa escrita, uma responsabilidade que não queremos assumir, irá roubar-nos as palavras que ainda nos restam e perturbar as que já foram escritas e fará com que os nosso sentimentos se desvaneçam aos poucos, que não sintamos mais nada, que tudo o que nos é conhecido se torne estranho, que a nossa dor dure para sempre, que o abismo seja casa para nós, se não o fizermos, é um desperdício de tempo e papel."

teach me to write

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Escrever assim é como escrever só com uma mão, ou não poder escrever de todo, mas afinal de contas, o que sei eu sobre escrever. Não sei se escrevo, não sei se tenho alma suficiente para escrever, não sei o que é escrever. A minha maior vontade é ficar sozinha, e não interferir na vida de mais ninguém. Mas ao pensar assim, não deixa de ser um pensamento forçado, o que eu quero realmente é ser feliz, é ter alguém ao meu lado, é fazer alguém feliz. Eu sei que ainda agora comecei a viver, que é agora que as minha próprias decisões começam a ter peso na minha vida, mas continuo a pensar nos meus irmãos, não quero de qualquer forma imaginária que eles passem pelo que eu passei e estou a passar, é um mundo solitário mas não precisamos de ficar sozinhos. Eles merecem mais do que este mundo cheio de desprezo e desespero, cheio de pessoas que não pertencem a este lado. Quero acreditar que isto tudo ira servir para alguma coisa um dia. Digamos que sou uma perfecionista, se é que está palavra ...

goals

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Os nosso objetivos? Às vezes penso que são em vão, e que trabalhamos para nada, que todo este esforço não será compensado, nunca! Corremos, gritamos, suamos. Sempre de olho na meta, até parece que está à nossa espera. Mas nunca está. Por mais que queiramos, nunca a poderemos atingir por completo. Irá sempre aparecer outra, e outra, e outra. Elas nunca acabam. Se nesta vida quiséssemos uma única coisa, isto não era vida, nem terra. Era o paraíso, o céu. Fomos criados para pecar, para sermos vítimas dos próprios erros. Desafiamos o destino a cada segundo, sem pensarmos nas consequências. No entanto, porque não ? Hm ? Porque não ? Quero dizer, temos isto, uma vida, não sabemos o que vem depois. Porque não aproveitar ? Olhem, olhem à vossa volta, tudo o que nos rodeia são tentações ! O que é que nos impede ? O que é que nos desperta tanto a nossa atenção ? Nunca poderemos obter respostas para tudo, não agora, não ao mesmo tempo. Aprendi que temos de ser pacientes, que tudo na vida t...