Olha-me

Se os olhos falassem os teus gritavam, mas não por dor ou por ardor, por amor. Se tu soubesses o que os teus olhos dizem se calhar olhavas mais. Se o meu corpo não quisesse mais ser visto escondia-se atrás de ti para sentir o desespero que é não sentir. Mas e se os teus olhos se cruzessem com os meus. Só eu sei que nem sei o que fazer com tanto de ti que nem sequer tenho. Se tu me deixasses ter eu deixava de temer. Se tu me deixasses tocar eu deixava de sonhar. Se tu me deixasses ser eu deixava-te ser. São linhas que de linhas não passam mas contam mais do que linhas poderiam dizer. São as tuas linhas onde está todo o meu sentimento de te ter. És tu em folhas de papel que toco quando posso e escrevo quando me deixam. És tu nas folhas do meu caderno que só abro quando está escuro e só leio quando te procuro. Jamais pensei que cometer loucuras se poderia tornar um vício e tu és o vício que me faz cometer essas loucuras!

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